A Biblioteca da Escola Secundária de Maximinos transformou-se, ontem, num pequeno laboratório de imaginação, onde cada tesoura, cada recorte e cada gesto pareciam acender uma centelha de futuro. A oficina “Não Há Duas Iguais”, orientada pela ilustradora Cátia Vidinhas, integrou a programação municipal do Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, promovida pela Divisão de Cultura e pela Divisão de Coesão e Solidariedade Social, e foi desenvolvida no âmbito do Plano Cultural de Agrupamento – ABARCA.
O desafio lançado aos alunos era simples na forma, mas poderoso no propósito: criar uma nova mulher — uma figura simbólica, reinventada a partir de fragmentos, imagens, poses e objetos — que refletisse direitos, força, escolhas e dignidade. Uma mulher que não tivesse de pedir licença para existir.
À volta das mesas, o ambiente oscilava entre a concentração serena e o entusiasmo vibrante. As mãos recortavam, colavam e redesenhavam identidades possíveis. As figuras inventadas ganharam pernas firmes, mãos seguras, expressões determinadas e acessórios que evocavam liberdade, autonomia e sonhos. Cada composição parecia sussurrar: “Aqui estou. De pé. Inteira.”
Cátia Vidinhas guiou o processo com uma delicadeza firme, como quem abre uma porta e convida os jovens a entrar numa conversa que importa — a conversa sobre respeito, igualdade e a urgência de desarmar qualquer forma de violência que se esconda nos gestos, nas palavras ou no silêncio.
O impacto foi visível, quase palpável.
Os alunos envolveram-se com autenticidade, revelando um olhar crítico e sensível sobre a construção social do feminino. A atividade permitiu-lhes refletir sobre estereótipos, diferenças e direitos, usando a arte como ferramenta de expressão e afirmação. Muitos, pela primeira vez, perceberam que criar uma figura feminina é também pensar no lugar que as mulheres ocupam — e no que ainda lhes é negado.
No final, as mesas ficaram cobertas de criativas pequenas heroínas de papel; os alunos, de uma consciência mais desperta; e a escola, de um registo simbólico e poderoso de compromisso com a igualdade.
A oficina não foi apenas um momento artístico.
Foi um lembrete de que educar para a igualdade é construir possibilidades — folha a folha, gesto a gesto, voz a voz. Porque, como o título tão bem anuncia, não há duas mulheres iguais.
Mais fotos aqui.


